Prometi a mim mesma que da próxima vez eu seria diferente, por não querer mais me ver tão errada, tão torta, tão rigorosa comigo mesma e com as histórias que protagonizo. Aprendi que preciso ser tolerante, que não posso me deixar ser tão orgulhosa. Aprendi que preciso procurar minhas falhas, mesmo quando só pareço enxergar as dos outros. Aprendi que não posso querer que o outro adivinhe o que sinto ou que saiba sempre a maneira como quero que aja. Aprendi, sei que aprendi.
Mas hoje me sinto inerte frente a tudo o que desejei enquanto trilhava sozinha esse caminho. Longo, excruciante, trágico até. Mas extremamente necessário.
Me vejo acuada. Ir em frente significa me desprender de todo o meu universo cognitivo pra me jogar em um mar de mudanças, imergir junto à melhor versão de mim mesma. Não quero descobrir que esse meu eu lapidado continua cometendo os mesmos erros estúpidos. Meu estômago alimenta úlceras infinitas enquanto penso que preciso deixar que você tome conta de mim, mesmo quando o melhor que puder fazer resulte em me machucar. Porque eventualmente é o que você fará. Vai esquecer que um pequeno gesto era tudo o que eu queria e vai partir meu coração fazendo pouco, fazendo nada, ou me dando o inverso do que eu precisava.


